Terça-feira, 28 de Junho de 2011
Segunda-feira, 27 de Junho de 2011
Quinta-feira, 16 de Junho de 2011
FALAR....
(As três caveiras sábias)
Do que falar quando as palavras se colam no céu da boca e se escondem na garganta? Talvez forçando um pouco, o milagre do verbo possa uma vez mais ser invocado.O esquecimento é a maior das benesses que um ser humano pode receber. Pensar é um luxo perigoso e angustiante. E escrever é justamente contradizer tudo o que aqui acabou de ser escrito.
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Depressão,
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Pensar
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Sábado, 14 de Maio de 2011
DERRADEIROS AFECTOS
(William Blake - The Gambols of Ghosts According with their Affections Previous to the Final Judgment)
O Velho não se lembrava bem quando tinha começado a dormir com a bengala. No fundo talvez não fosse muito importante. Depois de certa idade existe uma inteligência penosamente adquirida, sobre aquilo que pode se esquecido sem grandes problemas. Aliás já não haveria muita gente sua conhecida para comentar tal singularidade. Que Diabo! As pessoas têm a mania de se ir embora sem dizer adeus, ou deixar algum sinal. Talvez seja para chegarem lá acima, sem assustar muito Deus, da maneira triste como lhe aparecem. Uma relação para ser relação tem que ter “faladura” pelo meio. Senão um homem desata a falar sozinho e é um cabo dos trabalhos para regressar do poço da sua vaidade, ou loucura como outros lhe chamam. E eu comecei a afeiçoar-me ao raio da bengala, à sua forma, à sua dureza antiga que transmitia um certo sentimento assustador de solidão e eternidade. Aliás constato que à medida que o tempo passa, sinto mais dificuldade em recomeçar os rituais diurnos no fundo tão inúteis e parvos. No fundo inventamos tanta coisa para apenas esquecer a solidão. E ela vai crescendo atrás de nós como uma dolorosa e insidiosa sombra, como um lobo pardo daqueles que existem ai para as matas. A minha carne já idosa sente-se um pouco fortificada e mesmo rejuvenescida quando toca a sua superfície fria. Sono, recordações, desejos, afectos, sexo, morte e ódios, confundem-se num novelo cheio de cardos e ervas daninhas, os quais a aurora, tenta pateticamente organizar. A bengala não mente, não respira, nem fala; tem a honestidade autêntica de todos os objectos puros místicos e primeiros. Sei que ela vai sobreviver-me, e isso parece-me a pior das crueldades. Pois afinal um amor para ser amor tem que ser egoísta, esta é uma das fatalidades que a velhice também nos ajuda a entender. Ela voltará a ser um pedaço de madeira impessoal e sem história, e eu pior que isso vou ser mais um Velho a apodrecer algures até ficar reduzido aos elementos mais simples. Com um pouco de sorte quem sabe, não possa fazer parte de uma árvore.
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Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011
CONTINUAR....
É necessário continuar Fernando. Vamos repetir isto até à exaustão para ver se aprendemos, seja a bem ou a mal. Mas não me adapto a isto e sinto que me devia ir embora. Nem da companhia de outros seres humanos me sinto digno. Aparentemente não consigo viver nem morrer. Todos me parecem como seres estranhos a apontar para a necessidade disto ou daquilo. Como se referissem um estranho filme do qual faço parte. Reais para mim são estas dores de cabeça. Tudo o resto parece um fútil exercício de calistenia existencial. Aliás tão absurdo como este texto, que escrevo como desabafo ou vão orgulho. Sim isto é uma doença. E o que será o absurdo da vida? Mais que doença tenho uma trágica vocação para o absoluto, para o indizível, que apenas pode sublimado e tocado pela mais atroz tragédia. Agradeço a todos os que me ajudaram. Decerto fizeram o seu melhor. Eu que nem a mim, me pareço conseguir ajudar. São,as suas vozes como gritos, cada vez mais longínquos, desde que eu nasci com o meu destino, e o barco se perdeu no mar. Espero não voltar. Já tive o meu pequeno inferno aqui. Tentei ser discreto, e não incomodar demais. Mas agora basta! Se ao menos a inocência não me tivesse sido roubada e violada. Quem não é inocente olha para baixo. E fica enfeitiçado pelo abismo.
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Terça-feira, 25 de Janeiro de 2011
SECOND LIFE
(Eu e um amigo)
Mea culpa, acabei por ir parar lá... Mas tenho muitas reservas. Em primeiro lugar pelo facilitismo. Tudo é fácil no SL, as relações, o divertimento, os cenários. E sempre naturalmente acompanhados nas nossas viagens, por uma infinidade de tralha para comprar e vender, desde que se tenham linden. Se já somos tão infantilizados pelos meios de consumo, e pela ditadura de mercado, de facto esta é a última e obscena intrusão no nosso íntimo e alma. A banalização do que entendemos por amizade e relações é igualmente chocante, sendo estas tão fáceis como voláteis. Podemos rapidamente contrair matrimónio, ter filhos, sem a culpa deste lado, ou demasiadas reservas ou cautelas.
No mundo do faz de conta é tudo a brincar. Nada aparentemente se perde ou se ganha. Quanto muito as horas em que estamos encarcerados à frente do monitor. Desde o livro, passando pelo cinema, e chegando à web 2.0, gostaríamos de dizer que o que poderíamos chamar de democratização da narrativa, teria chegado finalmente às massas. Mas não. Isto porque nenhum formato narrativo, pode substituir os conteúdos, pelos quais nós e a sociedade somos responsáveis. O SL seria assim nesta medida tudo aquilo que fizermos dele. Tal como a arte poderia ser um meio de elevação, de novas experiências que nos são vedadas pelas limitações inerentes à vida neste lado. Tal como o teatro em particular uma possibilidade de exteriorizar as nossas emoções mais íntimas positivas e negativas. Enfim uma possibilidade de conhecer novas culturas, novas maneiras de ser e de estar, numa eventual feliz e oportuna, miscigenação cultural. Mas pensemos um pouco e tiremos o olhar do monitor. Não será de facto verdade que a cultura do lixo, da despersonalização emocional, do facilitismo e do mercantilismo, não chegou faz tempo, ao patamar do nosso bom gosto e tolerância, nesta vida aqui, a que chamamos de real? Esperemos que não seja tarde....
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Regressão,
Second Life; Evasão
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Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011
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